quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sobre a TURRISESPAÇOS


Turrisespaços – orçamento e contrato-programa

Declaração de voto

São várias as questões de fundo que me levam a votar contra o Orçamento da Turrisespaços e contra o contrato-programa para 2014.

Em primeiro lugar sempre me manifestei contra a constituição desta empresa municipal quando a mesma se destinava a gerir o Teatro Virgínia e também contra o aumento da sua abrangência de actividade, designadamente com a integração das actividades desportivas.

Continuo a entender que a constituição da empresa foi uma aposta errada do município, sendo certo que devia ser este a desenvolver as actividades culturais e desportivas que têm sido transferidas para a Turrisespaços.

Mantenho esta perspectiva com o entendimento de que o município deveria desenvolver as referidas actividades, e poderia fazê-lo com menores gastos para o município e maiores vantagens para os munícipes.

Por outro lado, devo insistir novamente que nada me move contra quem trabalha na empresa e aceito, de uma forma geral, o plano de actividades e as respectivas apostas.

Em segundo lugar é absolutamente inaceitável que o município tenha um encargo anual global de 1 milhão e 400 mil euros com a Turrisespaços (segundo informação prestada nesta reunião pelo Presidente).

Numa altura em que o país, o concelho, os munícipes e o próprio município vivem uma situação económico-financeira muito difícil é incomportável manter um encargo tão elevado. De facto o município não tem condições financeiras para manter este nível de encargos.

Aliás, numa altura em que a Câmara está a fazer cortes em todos os sectores municipais e em que a própria dotação orçamental foi reduzida em 20 milhões de euros, não existe qualquer justificação para que se mantenham nesta matéria os mesmos valores.

Repare-se que o valor de 660 mil euros de subsídios à exploração pagos pelo município à Turrisespaços em 2013 é precisamente o mesmo valor previsto no contrato-programa para 2014. 

Além do mais, prevêem-se aumentos das tarifas pela utilização dos equipamentos pelos munícipes. É mais um aspecto próprio de uma gestão empresarial da Turrisespaços que tenta resolver os seus problemas económicos mediante um aumento generalizado de preços fazendo recair sobre os ombros dos munícipes as suas próprias dificuldades financeiras.

Aliás, a este respeito devo dizer que o tratamento que a Câmara e a Turrisespaços estão a dar aos clubes desportivos obrigando-os a pagar uma parte (50%) dos custos de utilização dos equipamentos desportivos é absolutamente inaceitável. Contrariando o que afirma a Câmara (que os clubes serão beneficiados em 50%) digo que em 2014 os clubes irão ser prejudicados em 50% dos custos de utilização, uma vez que dantes nada pagavam e agora passam a pagar.

Não é aceitável que os clubes e outras colectividades que têm que utilizar os equipamentos desportivos para a concretização das actividades que desenvolvem e que são imprescindíveis no âmbito do desenvolvimento desportivo do concelho paguem o que quer que seja pela sua utilização.

Finalmente, diga-se que tenho muitas dúvidas sobre as eventuais vantagens da criação do PAPAF (Programa de Apoio e Promoção da Actividade Física) pois entendo que a principal função do município é o de apoiar em termos técnicos, logísticos e financeiros os clubes e outras colectividades que desenvolvem as suas actividades em favor dos munícipes torrejanos.

O município não se deve substituir a estas entidades nem deve fazer-lhes qualquer tipo de concorrência. Por aquilo que se conhece deste PAPAF tenho muitas dúvidas se poderá constituir uma mais-valia, e temo que possa ser, na prática, um elemento criador de maiores dificuldades à vida destas colectividades.

Por tudo isto, voto contra o Orçamento da Turrisespaços e o Contrato-programa para 2014.

Carlos Tomé, vereador da CDU na CMTN
Torres Novas, 16.12.13

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