Posição da CDU sobre a anunciada saída da
Medicina Interna do Hospital de Torres Novas
em
6 de Maio 2013
Ao tomar conhecimento da saída das duas unidades de Medicina
Interna do Hospital de Torres Novas em 6 de Maio de 2013, a CDU–Coligação
Democrática Unitária, decidiu tornar
público a seguinte posição.
1.
A CDU reafirma o seu apoio
ao Centro Hospitalar do Médio Tejo, como uma única entidade que sendo constituída por três unidades
hospitalares, só pode ser entendida como um todo nos termos da sua concepção. A
sua gestão deve explorar todas as potencialidades, rendibilizar as instalações
e equipamentos e colocá-los ao serviço da população. Entendemos que devem ser
comuns aos três hospitais as seguintes valências: Urgência Médica/Cirúrgica,
Medicina Interna, Pediatria e Cirurgia do Ambulatório, bem como os cuidados
prestados em ambulatório.
2.
Esta medida insere-se numa
política levada a cabo pelas sucessivas administrações de esvaziamento da
unidade Hospitalar de Torres Novas - no
seguimento das políticas erradas dos sucessivos governos - com a
consequência directa na degradação do acesso dos utentes aos cuidados de saúde,
tornando-os mais caros e mais distantes. Tais medidas têm contribuído para o
aumento das despesas, ansiedade e sofrimento dos doentes e respectivas
famílias.
2.1 Com a saída da medicina interna, o Hospital
de Torres Novas com capacidade para 140 camas, ficará reduzido a cerca
de 1/3 das camas. Acresce que a concentração em Abrantes vai reduzir em
18 camas a capacidade de internamento desta especialidade cuja taxa de ocupação
ronda geralmente os 100%.
2.2 Esta medida agora anunciada é altamente preocupante
face ao sucessivo esvaziamento que se tem vindo a verificar no Hospital de
Torres Novas, de serviços de que a
população tem grande necessidade e de que são exemplos a Urgência Médica/Cirúrgica e Cirurgia, com elevada procura e altas
taxas de ocupação.
2.3 A saída da Medicina Interna contribui
fortemente para a desmotivação dos profissionais que vêem as suas condições
profissionais e de trabalho degradarem-se. Contribui também de forma
preocupante para a destruição de postos
de trabalho em Torres Novas (estimados em 80).
2.4 Em suma, trata-se de mais uma reorganização
em cima de tantas outras, cujas consequências têm sido sempre em prejuízo dos
utentes, cujas prioridades são sempre anunciadas com objectivos muito nobres,
mas nas quais os doentes nunca são prioridade, como a realidade dos
factos confirma.
3.
A CDU considera que o CA do
CHMT parece ter uma agenda escondida. Se assim não é, como explicar que a
seguir a uma “reorganização” apareçam várias fases (contradizendo a anterior)
cujo resultado prático foi sempre a diminuição de serviços? Como explicar que o
valor inicialmente indicado como défice acumulado que serviu como “papão” para
iniciar o corte de serviços, afinal era mais baixo? Como explicar que nem a
outros órgãos sociais tenha sido prestada informação ou documentação sobre as
alterações que o CHMT está a sofrer, como o caso da concentração do
internamento da Medicina Interna? E como vão explicar de onde vêm os
financiamentos para as obras e equipamentos das “valências de excelência” em
Torres Novas? Havendo tantas dificuldades de financiamento, como se explica a
realização de obras em instalações excelentes sem quaisquer estudos técnicos?
Por que ainda não foi tornada pública a monitorização de Dezembro de 2012? Por
que não se conhece ainda o Plano de Actividades e Orçamento para 2013? Por que
não são divulgados os resultados da auditoria instaurada pelo CA, de que se
sabe ter uma primeira e depois uma segunda fase?
4.
Por tudo isto, a CDU opõe-se a qualquer processo
de esvaziamento do Hospital de Torres Novas e defende a posição de que o actual Conselho de Administração deverá ser
substituído, para dar lugar à
possibilidade de participação da comunidade na elaboração de um Plano
Estratégico para todo o sector da saúde no Médio Tejo, que privilegie a
articulação entre os diversos níveis de prestação de cuidados de saúde, que
defina quais as valências que pela sua importância social e clínica devem estar
nas três unidades hospitalares e sejam definidos objectivos claros e
quantificados para a promoção e valorização de todas as outras valências, com a
utilização de todas as potencialidades de instalações, equipamentos e recursos
humanos. A continuar a actual política governamental no sector da saúde
a nível nacional e a sua aplicação pelo CA do CHMT, no Médio Tejo,
apenas poderemos contar com aumento de níveis de ansiedade colectiva que vão
potenciar o sofrimento de doentes e familiares.
5.
A CDU denuncia
a conivência da actual maioria autárquica (PS) com estas medidas erradas, sempre muita pronta a desculpar os sucessivos conselhos de
administração e as políticas governamentais que têm conduzido à actual
situação, na ausência firme e consequente de denúncia e condenação do
esvaziamento do hospital, como se confirma pelo silêncio em relação à agora
anunciada saída da Medicina Interna, bem como na ausência da mobilização dos
munícipes na defesa legítima e constitucional do acesso aos cuidados de saúde.
6.
Por último, a CDU pretende
que na próxima reunião ordinária da Assembleia
Municipal, que se deve realizar durante o mês de Abril, esta matéria seja
discutida com a profundidade inerente à grave situação existente, propondo as
medidas que no momento considere adequadas para impedir a concretização das
medidas previstas.
Nesse sentido, os eleitos da CDU, enviaram um
ofício ao Presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas para incluir na
ordem de trabalhos um ponto para discussão da situação do CHMT e em particular
da unidade Hospitalar de Torres Novas, que já foi aceite.
12 Abril 2013
A Coordenadora da CDU - Torres Novas
Sem comentários:
Enviar um comentário