sexta-feira, 5 de julho de 2013

Perante o avolumar de queixas dos torrejanos, recordamos a posição da CDU




Posição da CDU sobre a anunciada saída da
Medicina Interna do Hospital de Torres Novas
em 6 de Maio 2013

Ao tomar conhecimento da saída das duas unidades de Medicina Interna do Hospital de Torres Novas em 6 de Maio de 2013, a CDU–Coligação Democrática Unitária, decidiu  tornar público a seguinte posição. 

1.    A CDU reafirma o seu apoio ao Centro Hospitalar do Médio Tejo, como uma única entidade que sendo constituída por três unidades hospitalares, só pode ser entendida como um todo nos termos da sua concepção. A sua gestão deve explorar todas as potencialidades, rendibilizar as instalações e equipamentos e colocá-los ao serviço da população. Entendemos que devem ser comuns aos três hospitais as seguintes valências: Urgência Médica/Cirúrgica, Medicina Interna, Pediatria e Cirurgia do Ambulatório, bem como os cuidados prestados em ambulatório. 

2.    Esta medida insere-se numa política levada a cabo pelas sucessivas administrações de esvaziamento da unidade Hospitalar de Torres Novas - no seguimento das políticas erradas dos sucessivos governos - com a consequência directa na degradação do acesso dos utentes aos cuidados de saúde, tornando-os mais caros e mais distantes. Tais medidas têm contribuído para o aumento das despesas, ansiedade e sofrimento dos doentes e respectivas famílias.

2.1 Com a saída da medicina interna, o Hospital de Torres Novas com capacidade para 140 camas, ficará reduzido a cerca de 1/3 das camas. Acresce que a concentração em Abrantes vai reduzir em 18 camas a capacidade de internamento desta especialidade cuja taxa de ocupação ronda geralmente os 100%.

2.2 Esta medida agora anunciada é altamente preocupante face ao sucessivo esvaziamento que se tem vindo a verificar no Hospital de Torres Novas, de  serviços de que a população tem grande necessidade e de que são exemplos a Urgência Médica/Cirúrgica e Cirurgia, com elevada procura e altas taxas de ocupação.

2.3 A saída da Medicina Interna contribui fortemente para a desmotivação dos profissionais que vêem as suas condições profissionais e de trabalho degradarem-se. Contribui também de forma preocupante para a destruição de postos de trabalho em Torres Novas (estimados em 80).

2.4 Em suma, trata-se de mais uma reorganização em cima de tantas outras, cujas consequências têm sido sempre em prejuízo dos utentes, cujas prioridades são sempre anunciadas com objectivos muito nobres, mas nas quais os doentes nunca são prioridade, como a realidade dos factos confirma.

3.    A CDU considera que o CA do CHMT parece ter uma agenda escondida. Se assim não é, como explicar que a seguir a uma “reorganização” apareçam várias fases (contradizendo a anterior) cujo resultado prático foi sempre a diminuição de serviços? Como explicar que o valor inicialmente indicado como défice acumulado que serviu como “papão” para iniciar o corte de serviços, afinal era mais baixo? Como explicar que nem a outros órgãos sociais tenha sido prestada informação ou documentação sobre as alterações que o CHMT está a sofrer, como o caso da concentração do internamento da Medicina Interna? E como vão explicar de onde vêm os financiamentos para as obras e equipamentos das “valências de excelência” em Torres Novas? Havendo tantas dificuldades de financiamento, como se explica a realização de obras em instalações excelentes sem quaisquer estudos técnicos? Por que ainda não foi tornada pública a monitorização de Dezembro de 2012? Por que não se conhece ainda o Plano de Actividades e Orçamento para 2013? Por que não são divulgados os resultados da auditoria instaurada pelo CA, de que se sabe ter uma primeira e depois uma segunda fase?

4.    Por tudo isto, a CDU opõe-se a qualquer processo de esvaziamento do Hospital de Torres Novas e defende a posição de que o actual Conselho de Administração deverá ser substituído, para dar lugar à possibilidade de participação da comunidade na elaboração de um Plano Estratégico para todo o sector da saúde no Médio Tejo, que privilegie a articulação entre os diversos níveis de prestação de cuidados de saúde, que defina quais as valências que pela sua importância social e clínica devem estar nas três unidades hospitalares e sejam definidos objectivos claros e quantificados para a promoção e valorização de todas as outras valências, com a utilização de todas as potencialidades de instalações, equipamentos e recursos humanos. A continuar a actual política governamental no sector da saúde a nível nacional e a sua aplicação pelo CA do CHMT, no Médio Tejo, apenas poderemos contar com aumento de níveis de ansiedade colectiva que vão potenciar o sofrimento de doentes e familiares.

5.    A CDU denuncia a conivência da actual maioria autárquica (PS) com estas medidas erradas, sempre muita pronta a desculpar os sucessivos conselhos de administração e as políticas governamentais que têm conduzido à actual situação, na ausência firme e consequente de denúncia e condenação do esvaziamento do hospital, como se confirma pelo silêncio em relação à agora anunciada saída da Medicina Interna, bem como na ausência da mobilização dos munícipes na defesa legítima e constitucional do acesso aos cuidados de saúde.

6.    Por último, a CDU pretende que na próxima reunião ordinária da Assembleia Municipal, que se deve realizar durante o mês de Abril, esta matéria seja discutida com a profundidade inerente à grave situação existente, propondo as medidas que no momento considere adequadas para impedir a concretização das medidas previstas.

Nesse sentido, os eleitos da CDU, enviaram um ofício ao Presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas para incluir na ordem de trabalhos um ponto para discussão da situação do CHMT e em particular da unidade Hospitalar de Torres Novas, que já foi aceite.
 
12 Abril 2013
         A Coordenadora da CDU - Torres Novas

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