Intervenção de Carlos Tomé
"
Boa noite a todos,
Estamos apenas a uma semana do dia da votação. Importa por isso fazer um pequeno balanço
relativamente ao modo como tem decorrido esta campanha eleitoral e registar
algumas pistas para os próximos dias que nos restam até domingo.
Antes de mais importa lembrar que o lema da CDU é a confiança. Tudo gira à volta deste
conceito. A confiança é o elemento que marca de forma indelével a relação que
estabelecemos com os eleitores. Não oferecemos nada, não fazemos promessas. As
pessoas conhecem-nos e confiam no nosso trabalho. Porque acreditamos em
princípios, porque não mentimos nem traímos, porque encaramos a política como
uma coisa séria, muito séria, que mexe com a vida de todos.
O nosso trabalho é conhecido, a nossa vida é partilhada, as
nossas convicções orientam os nossos passos, as nossas lutas fazem-se sempre em
equipa e os princípios e os valores guiam o caminho que trilhamos. Não
aparecemos só nas campanhas. Andamos por cá há muitos anos. E estamos sempre
onde o povo precisa de nós.
A CDU sempre esteve e está na primeira linha de todas as
lutas que foram e são travadas contra as malfeitorias deste governo e da
política de direita.
Participámos na organização de greves, de manifestações, das
mais diversas lutas que ocorrem por todo o país, nas fábricas, nas empresas,
nas escolas, nos transportes, nos
bairros, nas aldeias, nas vilas, nas cidades, nas autarquias. Onde existem
injustiças, onde é preciso lutar contra elas, lá está a CDU. Tomando a
dianteira, desencadeando a iniciativa e organizando os combates. Em defesa do
que é justo, em prol de uma vida melhor, com referência aos direitos
conquistados com suor, sangue e lágrimas.
As lutas da CDU já vêm de trás. Esta característica, que
diferencia as suas candidaturas de todas as outras, esta disponibilidade que os
candidatos demonstram oferecendo o peito às balas já vem de antes do 25 de
Abril. A dignidade dos candidatos da CDU forja-se no exemplo de outros que
deram o corpo ao manifesto por aquilo em que acreditam, alguns deram mesmo anos
de vida à prisão por aquilo em que acreditam, outros deram mesmo a própria vida
por um ideal.
Esses são os exemplos que norteiam o caminho dos que hoje
continuam essas lutas. Esses são a coragem que nos escasseia por vezes e por
vezes nela buscamos a sua iluminação. São esses que importa respeitar, o grande
exemplo de coragem que deram ao desprender-se de quaisquer interesses e dedicar
a vida às causas em que acreditam. São esse os exemplos que seguimos, ou pelo
menos tentamos seguir.
As pessoas têm confiança na CDU. Isso é claro, visível a olho
nu. Basta falar com as pessoas para ficarmos de imediato com essa noção.
Acreditam em nós, é a nós que recorrem quando têm problemas, à CDU confessam os
seus pecados e pedem para os defendermos, sabem distinguir o nosso trabalho,
reconhecer a sua valia.
Essa relação de confiança atribui-nos muitas responsabilidades
pois temos que honrar a confiança que nos é concedida. Temos que respeitar a
confiança que as populações depositam na CDU. E esse respeito deve ser continuado.
Não se esgota na campanha. Ele permanecerá muito para além disso, dará prova de
vida sempre que se faça sentir a nossa intervenção no campo político.
Não agimos por quaisquer interesses pessoais, mas sim e apenas
porque acreditamos que o nosso trabalho colectivo em prol da nossa terra, da
nossa freguesia, do nosso concelho, do nosso país contribui para que a
realidade das nossas vidas possa surgir melhor aos nossos olhos. Juntos na CDU
todos seguimos e praticamos o lema: trabalho, honestidade e competência.
A CDU sempre esteve na primeira linha das lutas contra a
perda de valências e esvaziamento do Hospital de Torres Novas e em defesa do
direito à saúde da população; na luta contra o encerramento das Extensões de
Saúde da Ribeira, do Pedrógão, da Meia Via, Paço e Alcorochel e pelo direito a
serviços médicos de proximidade; contra as escandalosas medidas governamentais
de extinção das freguesias de Lapas, Ribeira, Alcorochel, Parceiros, Paço e contra
a reorganização do mapa administrativo que mexe em várias outras freguesias,
promovendo abaixo-assinados, reuniões com a população, manifestações, campanhas
de esclarecimento e diversas acções de mobilização das populações em defesa dos
seus direitos; contra a privatização dos serviços públicos como o caso dos CTT
e encerramento de postos de correio como no Paço; contra a privatização dos
serviços de água e em defesa da água pública; contra as portagens da A23;
contra o aumento de impostos e taxas municipais; contra o corte do apoio
municipal às colectividades e às Juntas de Freguesia; contra o facto da Câmara
PS ser useira e vezeira na falta de honra relativamente aos compromissos que
assume e dos qais toda a gente conhece vários exemplos; contra o mau uso de
dinheiros públicos; contra o secretismo nas decisões e a inerente falta de
transparência e isenção nas deliberações.
A voz da CDU na Câmara Municipal de Torres Novas mas também
na Assembleia Municipal, Juntas e Assembleias de Freguesia deste concelho sempre
se fez ouvir todos os dias e a sua posição manifestou-se, sem quaisquer dúvidas
ou tibiezas, na luta contra o que está mal e na defesa de uma vida melhor para
o nosso povo.
Basta referir um qualquer assunto com significado político e lembramo-nos
de imediato que a posição da CDU foi manifestada no momento e no lugar certo.
Não basta aparecerem uns candidatos feitos à pressa a prometerem o céu na
terra, mundos e fundos, palavras bonitas para enganar incautos, quando sabemos
que a sua prática é completamente às avessas do palavreado. A gente conhece-os
bem. E o povo também.
Nas Jornadas Autárquicas que realizamos de 2 em 2 anos, desde
há mais de 10 anos, visitamos todas as freguesias do concelho, falamos com
autarcas de todos os partidos, reunimos com instituições e entidades diversas
que têm intervenção na comunidade, auscultamos a população, ouvimos as suas
queixas e os seus anseios, avaliamos as situações, bem como a perspectiva de
resolução de cada problema e propomos soluções. Estas Jornadas Autárquicas são
um acontecimento único na vida política deste concelho e que marca a diferença,
consistindo num trabalho político sério que mais nenhum partido faz em Torres
Novas. Isto também marca a diferença.
Tudo isto nos dá uma certeza acrescida de que o nosso
trabalho é sério e continuado e vai ao encontro das nossas responsabilidades
enquanto autarcas. A CDU leva o seu trabalho muito a sério porque o que está em
causa é a vida das pessoas e isso é muito sério.
Nesta campanha vamos assistindo a toda a sorte de promessas e
de falinhas mansas de gente que parece que apareceu agora nestas andanças e
nada tem a ver com os últimos 20 anos da vida do nosso concelho ou do país.
Parecem almas imaculadas que chegaram agora à terra vindo de paragens
desconhecidas.
Uns, querendo escapar ingloriamente às medidas criminosas
determinadas pelo governo PSD/CDS e pela maioria de direita que todos os dias
vão dando cabo deste país e infernizando a vida do nosso povo, cortando nas
pensões e nas reformas, diminuindo os subsídios, aumentando os impostos,
asfixiando o Poder Local, dizimando as freguesias, esvaziando o Serviço
Nacional de Saúde, dificultando cada vez mais a vida de quem trabalha. Mas
esquecem-se que nunca mexeram um braço neste concelho para alterar este estado
de coisas, antes pelo contrário, tudo fizeram e fazem para que as medidas de
direita sejam aplicadas, ignorando os problemas que assolam o nosso concelho.
Dizem eles por estas bandas que o concelho
vai ganhar. Ganhar o quê? Só se for mais desgraça, dizemos nós.
Outros querendo apenas a evolução na continuidade. Não
alterando nada de substancial na política de vacilações e incongruências que
marca a acção política do PS na Câmara. Saindo um mas ficando o outro que sobe
um degrau e aquele que sai fica por trás. O que fica por trás sorri. Abençoando
a cerimónia. Controlando o sagrado ofício. Saindo mas ficando. O que fica diz
que agora é que sou eu. Mas o que sai diz que ainda não saiu de todo. Não sei
se estão a ver o filme.
O vice quer passar a presidente mas a dívida que ajudou a
criar vai cair sobre os torrejanos. Haja quem pague. São 35 milhões que ficam
às costas dos munícipes pelo menos durante os próximos 3 mandatos. É caso para
dizer: a dívida sempre consigo. Só
nas obras do Convento do Carmo a Câmara vai gastar uns 3 milhões de euros a
mais. São 3 milhões que ficarão sempre
consigo. No Centro de Ciência Viva (que nunca será realizado) a Câmara vai
pagar ao empreiteiro 90 mil euros sem que este tenha pregado um prego. São mais
90 mil sempre consigo. Na Escola Visconde de S. Gião a Câmara pagou 100 mil
euros a mais só em trabalhos não previstos no contrato. São mais 100 mil sempre consigo. Na defesa do Hospital o
PS remeteu-se ao mais barulhento silêncio em conivência com as nefastas
decisões governamentais e do Conselho de Administração deixando a população à sua
sorte. É caso para dizer: o problema do hospital sempre consigo.
Fruto de uma gestão irrealista e absolutamente errada, a
Câmara PS está a hipotecar o concelho por conta dos seus artifícios e
megalomanias por muitos e largos anos. O relatório da Direcção Geral de
Finanças veios colocar em letra de forma o que a CDU vem dizendo há muitos
anos. Este relatório é absolutamente arrasador para a gestão do PS na Câmara e
dá inteira razão à CDU e às suas posições críticas.
A CDU foi a única força política que assumiu desde o início
uma posição de princípio contrária è extinção das Freguesias. Juntamente com as
populações tudo fez para contrariar tal medida, lutou de todas as formas ao seu
alcance para a evitar. E levará essa posição até fim. Todas as outras forças
políticas, mesmo aquelas que se dizem da esquerda moderna e muito à frente, se
esqueceram rapidamente dos malefícios da extinção das freguesias. Mudaram
rapidamente. E, pelos vistos, não precisaram de grande coragem para mudar.
Vejam as diferenças comparando as campanhas. Em todas as
campanhas das outras forças políticas os cartazes para as freguesias têm apenas
o respectivo cabeça de lista. Nos cartazes da CDU todas as freguesias são
respeitadas e não são esquecidas. A CDU constituiu as suas listas com um
candidato de cada freguesia vítima da agregação. E nos nossos cartazes estão sempre
3 candidatos.
Vejam-se os casos da União de Freguesias de S. Pedro, Lapas e
Ribeira (com o Sérgio Formiga da Ribeira, o Manuel Ramos de Lapas e a Sandra Lourenço
de S. Pedro) ou da União de Freguesias de Sta. Maria, Salvador e Santiago (com
a Marta Silva de Sta. Maria,, o Tito de Salvador e a Zaida de Santiago) ou a
União de Freguesias de Olaia e Paço (com o Paulo Rosa de Olaia, o Francisco
Lopes do Paço e a Marina Sénica de Árgea).
Em cada uma destas
Uniões a CDU apresenta sempre 3 candidatos, sendo um para cada uma das
freguesias mesmo das extintas. E mantém esse critério na restante lista.
Mais uma vez se prova que a CDU é a única força política que
leva as lutas até ao fim e verdadeiramente não desiste daquilo em que acredita.
E também nestas eleições é preciso levar a luta até ao fim. Até
ao voto. Durante os dias que restam temos que continuar unidos e com vontade,
humildade e alegria a falar com as pessoas. Contactar directa e pessoalmente
com elas. Saber ouvi-las. Respeitá-las. Lembrar apenas alguns aspectos das
nossas acções que precisem de ser recordados.
Estas eleições são muito importantes para as nossas
freguesias, para o nosso concelho e também para o nosso país. Sabemos que os
nossos dias são difíceis mas não podemos esmorecer. Há que continuar neste
caminho. Porque o nosso concelho justifica este trabalho. E as populações
merecem a nossa confiança.
No próximo dia 29, o voto na CDU é um imperativo de consciência.
Viva a CDU!


Sem comentários:
Enviar um comentário